SÃO PAULO - Passada a euforia do Natal, os lojistas lançam mão das liquidações, seja para atrair consumidores e manter as vendas aquecidas, seja para renovar seus estoques.

No entanto, mesmo quem conta com um dinheiro a mais na conta bancária precisa conter a empolgação diante das ofertas, para não se arrepender depois.

Planejamento

Antes de tudo, é fundamental rever o orçamento - quem não costuma fazer, deve colocá-lo em sua lista de prioridades do ano, para saber previamente a quantia que poderá dispor para as liquidações. Vale lembrar ainda que o início de ano é marcado por gastos extras com IPVA, IPTU, rematrícula e material escolar, entre outros.

Feitos os cálculos, o consumidor deve tomar alguns cuidados para poder aproveitar melhor as ofertas das lojas. Para ajudar nessa tarefa, o órgão de defesa do consumidor Pro Teste organizou uma série de recomendações que, se seguidas, podem proteger o seu bolso.

Bater perna vale a pena

Entre as orientações, está a velha pesquisa de preços. Nessa hora, o que vale é a paciência para sondar vários estabelecimentos e comparar os valores cobrados em cada um deles. Dessa forma, é possível até definir os produtos que serão comprados antes de sair de casa. Também fica mais difícil ser enganado pelas "falsas liquidações".

Um bom aliado nesse momento, segundo a entidade, são os anúncios publicados em jornais, revistas e panfletos - que devem ser guardados para exigir o cumprimento da oferta.

Evite compras por impulso

De nada vai adiantar fazer a pesquisa de preços, se o consumidor não cumprir aquilo que planejou quando estiver na loja. Nessa hora, diz a Pro Teste, deve-se evitar a compra por impulso, só porque é mais barato. É necessário verificar primeiro a real necessidade da compra, para que aquela "blusinha" que parecia linda no provador não fique depois encostada no canto do armário.

Outra dica para não gastar acima do previsto é não se deixar levar por ofertas do tipo "pegue dois, leve três" ou muito menos que dêem brindes ou direito a sorteios, pois para participar destas últimas é preciso atingir um limite de compras.

Sem direito a trocas

O consumidor deve ter em mente, também, que as lojas costumam fazer liquidações com produtos de mostruário ou que apresentam pequenos defeitos, entre eles, roupas com manchas ou descosturadas ou eletrodomésticos com partes amassadas. Não há legislação que proíba tal prática, desde que essas características constem em nota fiscal.

A Pro Teste alerta ainda que há mercadorias em exposição nos saldões que não podem ser trocadas. Caso isso seja possível, a lei determina um prazo de 30 dias, para reclamar defeitos em produtos não-duráveis, e de 90 dias, para os duráveis.

Liquidação x promoção

Por fim, vale mencionar um detalhe que passa despercebido para a grande maioria dos consumidores: enquanto na liquidação o consumidor encontra facilidade somente nos preços, na promoção, ele pode encontrar prazos mais longos de pagamento.

Na teoria, a liquidação e a promoção são diferentes, mas, como o primeiro nome causa mais impacto entre os consumidores, os lojistas costumam usá-lo mais.

Independentemente do tipo de facilidade que terá, é recomendável que o consumidor compare bastante antes de aderir à promoção ou à liquidação.