SÃO PAULO - Em uma semana bastante movimentada para o mercado internacional, o Ibovespa registrou uma alta de 4,35%, a melhor desde janeiro de 2012. O benchmark da bolsa, que iniciou o período com perdas, se recuperou a partir da quinta-feira (26), em meio às declarações de autoridades da Zona do Euro, que reiteraram o compromisso de realizar todas as medidas necessárias para impedir a ruptura do euro. 

Entretanto, o destaque da semana e que levou para uma forte recuperação do benchmark da bolsa ocorreu na sexta-feira, dia em que o presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, afirmou que a autoridade monetária pretende realizar novas compras de bônus, reduzir a taxa de juro básica e realizar novas operações de LTRO (Operação de Refinanciamento de Longo Prazo). A notícia, divulgada pela Bloomberg no meio da tarde, provocou uma forte disparada no mercado acionário brasileiro.

Início da semana negativo...

 Na segunda-feira (23), duas notícias vindas da Espanha preocuparam os investidores: a retração de 0,4% no PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre e o pedido de ajuda financeira da região de Múrcia, levando os juros dos títulos públicos a registrarem forte alta, assim como os da Itália. De modo a minimizar a volatilidade, os órgãos reguladores de ambos os países proibiram a venda de ações a descoberto.

Completando o mau humor do mercado, esteve o noticiário vindo da China. O membro do comitê de política monetária do Banco Popular do país, Song Guoqing, afirmou que a expansão econômica do país pode desacelerar pelo sétimo trimestre consecutivo. 

A sessão do dia seguinte foi marcada também por negatividade, após a a Moody's ter colocado o rating triplo A da Alemanha, da Holanda e de Luxemburgo em perspectiva negativa. Completando o cenário europeu negativo, esteve a declaração do primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, de que a recessão do país pode ser ainda mais profunda que os 7%, prevendo uma recuperação somente em 2014. 

Entretanto, o índice brasileiro apresentou, naquela data, desempenho mais negativo do que o das principais bolsas internacionais, puxado principalmente pela forte baixa dos papéis da Vale, que representam o maior peso na carteira teórica do benchmark da bolsa, na esteira da renúncia do diretor financeiro da companhia, Tito Martins.

Contudo, o mercado começou a dar sinais de melhora na quarta-feira (25), após informações de que o Federal Reserve pudesse oferecer mais estímulos à economia norte-americana. Entretanto, a redução nas perspectivas de crescimento da China pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) desanimou os mercados, levando o benchmark da bolsa brasileira ao seu quarto dia seguido de baixa. O Fundo revisou de 9,2% para 8% sua revisão de crescimento do PIB chinês para este ano.

...foi mais do que compensado por otimismo do final da semana 

Já a quinta-feira foi guiada pelo maior otimismo do mercado com as declarações de Draghi de que faria tudo o que for preciso para que o euro não se rompa. Além disso, repercutiu ainda a reafirmação do rating BBB do Brasil pela Fitch, com perspectiva estável. Já no front doméstico, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que o Brasil está mais preparado para lidar com contágios de decisões de política monetária de outros países, mas ressaltou que o ambiente global está difícil e que pode piorar ainda mais.

Entretanto, a sexta-feira (27) foi, de longe, o dia mais positivo para os investidores desde muito tempo. Após as declarações de Mario Draghi de que realizará novas medidas para aliviar a crise na Zona do Euro, o Ibovespa, que já operava no positivo em meio aos rumores de novas operações, intensificou seus ganhos e fechou na sua maior alta diária desde 9 de agosto de 2011, ao registrar ganhos de 4,72%.

O dia já havia começado animado para os investidores, após a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês François Hollande emitirem se comprometendo a fazer tudo para defender a Zona do Euro, a exemplo de Draghi. Eles ainda pediram que os estados membros e as instituições cumpram com suas obrigações, tendo como objetivo defender a integridade da região. 

Trazendo ainda mais otimismo aos investidores no último pregão da semana, o PIB norte-americano do segundo trimestre mostrou expansão de 1,5% e superando a projeção de 1,2% dos analistas.

Altas e baixas 

Em meio às especulações com relação ao fechamento de capital da companhia, a ação da LLX (LLXL3) registrou os maiores ganhos da semana, com alta de 23,38%, aos R$ 2,85. Entretanto, a companhia negou que realizaria uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) de seus ativos. 

Já as ações da Dasa (DASA3) tiveram o pior desempenho do índice, com perdas de 5,46%, aos R$ 11,60, em meio às revisões das estimativas para a empresa por diversas instituições. As expectativas são de que a empresa, que pertence a um setor atulamente bastante pressionado pelos custos, não consiga repassá-los ao consumidor. 

Resultados movimentam mercados 

Além da saída do diretor financeiro da Vale e dos rumores de fechamento de capital pela LLX e pela CCX (CCXC3), estiveram entre os principais destaques da semana a divulgação dos resultados referentes ao segundo trimestre de 2012. Dentre as companhias que divulgaram seus balanços durante o período, o destaque ficou com os resultados da mineradora, que reportou queda de 48,3% no lucro líquido.

Dentre outras companhias que divulgaram seus números, estiveram a Natura (NATU3), a Cielo (CIEL3) e a Fibria (FIBR3). Além disso, as principais instituições bancárias, como o Santander (SANB11), Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) reportaram queda nos seus lucros, mas gerando reações divergentes no mercado. 

Agenda da próxima semana

Dentro da agenda da primeira semana de agosto, as atenções se concentram no mercado de trabalho norte-americano, mais especificamente à divulgação do Relatório de Emprego referente ao mês de julho. Os investidores também se atentarão à reunião do Federal Reserve do mês de julho, que definirá os rumos da política monetária do país. Ainda lá fora, ocorrerão as reuniões de política monetária no Reino Unido e Europa.

No cenário internacional, ainda serão revelados nessa semana indicadores de indústria e de serviços na Zona do Euro e na China.

Já no front doméstico, o foco dos investidores se divide entre os dados de inflação de julho e o desempenho da indústria doméstica durante o mês de junho.